
Oeiras Tech City: o novo bairro que pode transformar a forma de viver em Oeiras
Imagem: Oeiras Tech City RE/Tethys Capital
Oeiras prepara-se para receber um dos maiores projetos residenciais atualmente previstos na Área Metropolitana de Lisboa. O Oeiras Tech City, junto ao Taguspark, deverá disponibilizar até 1.000 novas habitações, distribuídas por cerca de 82.000 m² de construção, num investimento anunciado de 400 milhões de euros.
Mas a dimensão do projeto conta apenas uma parte da história. Mais do que acrescentar casas ao mercado, o Oeiras Tech City propõe um novo bairro onde habitação, trabalho, comércio, serviços e espaços exteriores deverão coexistir. Uma ideia particularmente relevante num concelho que há muito deixou de funcionar apenas como periferia residencial de Lisboa e se afirmou como polo empresarial, tecnológico e científico.
Um projeto que evoluiu desde o primeiro anúncio
As primeiras informações públicas, divulgadas em 2024, referiam um investimento superior a 200 milhões de euros, quase 1.000 unidades residenciais e um terreno com 93.000 m². Na altura, o projeto encontrava-se em fase de loteamento e incluía habitação, coliving, comércio e serviços.
Entretanto, os dados publicados pelo próprio promotor foram atualizados. O site oficial do empreendimento e a página institucional da REIS - Real Estate Investment Strategies apresentam atualmente o Oeiras Tech City como um projeto de 400 milhões de euros, desenhado pelo gabinete internacional de arquitetura Broadway Malyan, com capacidade para entregar até 1.000 unidades e conclusão prevista para o quarto trimestre de 2030.
Esta evolução dos números é natural num empreendimento desta escala. Entre a aquisição do ativo, o desenvolvimento do plano, o licenciamento, as infraestruturas e a construção, os projetos são ajustados às condições urbanísticas, financeiras e de mercado. Por isso, tipologias, preços, calendário de comercialização e composição final das unidades só deverão ser considerados definitivos quando forem formalmente divulgados pelo promotor.
Uma localização ligada ao emprego e ao conhecimento
A localização é provavelmente o principal argumento estratégico do Oeiras Tech City. O projeto ficará junto ao Taguspark, num território onde se concentram empresas tecnológicas, multinacionais, centros de investigação, ensino superior e emprego qualificado.
Esta proximidade pode responder a uma necessidade concreta: permitir que mais pessoas vivam perto do local onde trabalham, reduzindo deslocações longas e criando maior continuidade entre vida profissional, familiar e pessoal.
Na envolvente encontram-se também o campus do Instituto Superior Técnico, escolas internacionais, equipamentos desportivos e de lazer e ligações aos principais eixos rodoviários da região. Lisboa, a Linha de Cascais e Sintra ficam dentro da área de influência do projeto, embora a experiência diária de mobilidade continue a depender da evolução dos transportes públicos, dos acessos e das infraestruturas locais.
Esse ponto merece atenção. Criar uma verdadeira “cidade de proximidade” não depende apenas de juntar casas, lojas e escritórios no mesmo plano. Depende da qualidade do espaço público, da circulação pedonal e ciclável, dos transportes coletivos e da existência real de serviços utilizáveis no dia a dia. Será essa execução, e não apenas a dimensão do investimento, que determinará se o Oeiras Tech City se torna um bairro vivo ou apenas mais um grande empreendimento residencial.
Habitação para venda, arrendamento e novas formas de viver
O conceito divulgado combina diferentes usos e modelos residenciais. Além de casas destinadas à venda, está prevista uma componente de build-to-rent, ou seja, imóveis construídos especificamente para arrendamento, bem como soluções de coliving.
Esta diversidade pode ser importante num mercado onde a oferta de arrendamento de longa duração continua limitada e onde muitos profissionais procuram flexibilidade sem abdicar de qualidade, serviços e proximidade ao emprego.
O posicionamento inicialmente comunicado aponta para a classe média-alta. Ainda assim, sem preços, tipologias ou condições de comercialização conhecidos, seria prematuro classificar o projeto como uma resposta efetiva ao problema da acessibilidade habitacional. Colocar mais casas no mercado é positivo, mas a sua contribuição para o equilíbrio da oferta dependerá dos valores de venda e arrendamento, da diversidade das tipologias e da proporção destinada a cada modelo.
Sustentabilidade: a promessa terá de ser medida na prática
O promotor apresenta o Oeiras Tech City como um projeto orientado para a vida familiar, a regeneração urbana e a sustentabilidade. A arquitetura ficará a cargo da Broadway Malyan, gabinete com experiência internacional em urbanismo e projetos de uso misto.
A intenção é criar edifícios eficientes, flexíveis e adaptáveis, integrados com zonas verdes e espaços de utilização coletiva. É uma visão alinhada com as novas expectativas de compradores e investidores, que valorizam eficiência energética, conforto térmico, áreas exteriores e custos de utilização mais baixos.
Contudo, a palavra “sustentabilidade” deve ser avaliada através de indicadores concretos: desempenho energético, gestão da água, materiais utilizados, mobilidade, biodiversidade, manutenção futura e qualidade do espaço público. Só quando essas especificações forem conhecidas será possível perceber a diferença entre uma ambição bem comunicada e um bairro verdadeiramente sustentável.
Que impacto poderá ter no mercado imobiliário de Oeiras?
A entrada de cerca de 1.000 novas casas terá necessariamente impacto numa zona onde a construção nova é escassa e a procura se mantém elevada. O efeito, porém, não será automático nem igual em todos os segmentos.
O projeto poderá:
reforçar a atratividade residencial da zona norte do concelho;
captar profissionais ligados ao Taguspark e às empresas instaladas em Oeiras;
aumentar a oferta de construção nova para venda e arrendamento;
criar novas referências de preço para imóveis recentes e eficientes;
estimular comércio, serviços e investimento na envolvente;
gerar concorrência com empreendimentos novos já existentes ou planeados.
Para proprietários da zona, isto não significa necessariamente uma valorização imediata. O impacto dependerá dos preços de lançamento, da velocidade de absorção das novas unidades, da qualidade final do projeto e da evolução global do mercado. Um grande aumento da oferta também pode criar maior concorrência, sobretudo para imóveis usados sem diferenciação, baixa eficiência energética ou necessidade de obras.
Para compradores e investidores, a escala do empreendimento pode trazer escolha e potencial de valorização a médio e longo prazo, mas exige análise. Importa comparar preço por metro quadrado, qualidade construtiva, custos de condomínio, acessos, procura de arrendamento e calendário efetivo de entrega, e não decidir apenas com base na promessa de um novo polo urbano.
Um projeto a acompanhar até 2030
O Oeiras Tech City reúne três elementos com capacidade para marcar o futuro do concelho: escala, localização e mistura de usos. Se concretizar a visão anunciada, poderá aproximar habitação e emprego e contribuir para uma nova centralidade urbana junto ao Taguspark.
Ainda há, contudo, informação essencial por conhecer. O promotor não divulgou publicamente as tipologias, plantas, preços ou datas de início da comercialização. A página oficial continua a apresentar o empreendimento numa fase inicial de planeamento, embora existam relatos locais de trabalhos de preparação e infraestruturação no terreno.
Com uma atuação muito focada no mercado imobiliário do Concelho de Oeiras, a Blue Real Estate Collective irá acompanhar a evolução do Oeiras Tech City com atenção aos detalhes que realmente interessam a quem pondera comprar, arrendar ou investir: qualidade do projeto, mobilidade, serviços, relação com a envolvente e valor sustentável no tempo.
Quer receber informação quando forem divulgados preços, tipologias e condições de comercialização? Vá à página de contactos, envie-nos uma mensagem e registe o seu interesse.
Fontes consultadas
Oeiras Tech City: https://oeirastech.re-is.co/
Idealista/news, “Oeiras Tech City vai oferecer 1.000 casas e custará 200 milhões”, publicado em maio de 2024: https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2024/05/17/64058-oeiras-tech-city-vai-oferecer-1-000-casas-e-custara-200-milhoes
Ana Mação - “Oeiras Tech City”, artigo atualizado em junho de 2026: https://ana-macao-kw.pt/oeiras-tech-city
Nota editorial: os dados do projeto podem ser alterados durante as fases de planeamento, licenciamento e construção. A informação mais recente deve ser confirmada junto do promotor antes de qualquer decisão de compra ou investimento.
